O espaço poético como possibilidade de encontro

Atualizado: Jul 24




A experiência do isolamento social inscreveu, na nossa experiência com o espaço físico da escola, um afastamento nunca, anteriormente, vivido, portanto, refletir sobre a distância, causada pelo aparecimento do vírus, e sobre os efeitos causados pela COVID19 é uma pauta urgente para todos os educadores.


Como descrever e nomear tantos sentimentos? Como narrar a distância do espaço escolar? Como enunciar o silêncio da perda, da incerteza e do medo? São muitas perguntas permeadas de angústias que alcançam a todos, já que as perdas são inúmeras e de toda natureza.


O nosso objetivo no espaço destinado aos educadores e familiares é promover um encontro, mesmo que à distância, e estabelecer um diálogo capaz de promover acolhimento, trocas, sugestões e informação. Acreditamos na Arte como um dispositivo sensível e eficiente para abrir as rodas de conversas e o momento de escuta.


Por isso, os desdobramentos de cada encontro, leitura, roda de conversa podem originar registros diversos: pintura, desenho, escrita, vídeo, música, dança e outras tantas que se fizerem presente e atuante na percepção de cada sujeito, entendendo que criar pode ser um gesto de resistência e uma forma de enfrentar a complexidade deste tempo.


Dessa forma, pretendemos apontar e receber sugestões de possibilidades para encontros, por ora virtual, e depois, quando for possível e seguro, presencial com os nossos estudantes. Assim, inauguramos essa seção de atividades pensadas a partir do contexto da pandemia e das implicações trazidas por ela.

A sugestão de hoje parte da leitura do livro:


MUNDURUKU, Daniel. Você lembra, pai? São Paulo: Global Editora, 2002.

Os espaços poéticos inscritos na literatura se originam de diversas formas, a memória é uma delas.


Uma trilha de leitura:


A proposta deste percurso é construir, a partir da memória, um saber sobre mim e sobre o Outro.

O livro apresenta o relato construído pelo filho a partir das memórias que tem da relação com a figura paterna. Permeado de afeto, o narrador faz uma homenagem ao pai, destacando momentos importantes de aprendizagens.

Os trechos em destaque são sugestões para uma conversa inicial.

“Plantou-os [sonhos] em mim como quem planta uma semente de castanha-do-pará, que cresce sem a ação humana. Fez isso de maneira simples: não se negou a olhar o pôr-do-sol, a nadar no rio, a chupar manga no pé, ensinou-me a martelar a madeira com o risco de acertar o dedo, fez silêncio quando devia e falou quando precisava; embalou-me no colo como uma criança e deixou-me ir como um homem.


“É um livro de memórias...é, ainda, um livro teia. Se você o der de presente para seu pai, fará com que lembre do pai dele, e você lembrará que o pai de seu pai teve um pai e você se sentirá participando de uma teia que se une ao infinito.

Ah! E não será um problema se o seu pai for uma mulher.

a- Na roda de conversa, os estudantes e o educador podem refletir acerca da teia, pensando na própria vida, perguntando-se: O que nos conecta, de fato, com o outro? Como nos sentimos parte da teia? O que essa teia revela do infinito para cada de um nós?


b- Pensando na ideia de “livro-teia”, o estudante poderá ser convidado a escrever sobre memórias, sobre as sementes que ele sabe plantadas nele. Quem é a pessoa que fez o plantio? O que foi plantado?


c- Como, na escola, ele se sente pertencendo a uma teia? Em que momentos isso acontece?


Prof.ª Dra. Vilma Aparecida Galhego - NAAPA/SME.

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